Quinta-feira, 9 de Julho de 2009

Bolívia é o primeiro país no mundo a banir animais em circos‏


A organização em prol dos animais Animal Defenders International (ADI) comemora a decisão do presidente da Bolívia Evo Morales de assinar uma nova lei que proíbe o uso de animais em circos. Após passar pelo Congresso com sucesso, o projeto chegou ao presidente e deverá entrar em vigor nas próximas semanas.

A lei, apresentada pela congressista Ximena Flores of Potosi, surgiu como resultado das evidências encontradas em uma investigação secreta da ADI. Foram encontrados nos circos leões confinados em pequenas jaulas atrás dos caminhões (duas leoas estavam grávidas e continuavam sendo abusadas), um mandril igualmente confinado, três ursos presos em compartimentos de apenas 2,5 x 3 m, dentre outros animais em situação semelhante.

O único exercício que estes animais podiam fazer era a caminhada do picadeiro até a jaula e vice-versa. Também não foram encontrados quaisquer métodos de proteção para os animais que dançavam e se equilibravam em bicicletas. Todas as descobertas da investigação foram reportadas ao Congresso juntamente com um relatório da ADI contendo evidências científicas do sofrimento dos animais abusados em circos, intitulado “A ciência no sofrimento”.


A nova lei proíbe o uso de animais domésticos e selvagens em circos em toda a Bolívia, considerando que seu confinamento, privação e maus-tratos são atos de crueldade extrema. Os circos terão o prazo de um ano para adequar-se completamente à nova regra, e durante esse período serão duramente fiscalizados pelo governo.

Esta é a primeira lei nacional a proibir o uso de animais domésticos e selvagens em circos, já que países como Áustria, Costa Rica, Finlândia e Dinamarca proíbem apenas o uso dos animais selvagens ou de determinadas espécies. Em reconhecimento da atitude ética de Morales, a ADI presenteou o governo boliviano com o prêmio Toto Award em conservação e proteção animal.

Jan Creamer, chefe executivo da ADI, declarou: “Este é um dia histórico para os animais de circo. As investigações sigilosas, a pesquisa científica e o trabalho duro de nossos colaboradores na Bolívia fez uma grande diferença para os animais, que será divulgada mundo afora. A Bolívia é o primeiro país latino a proibir o uso de animais em circos e também o primeiro do mundo a proibir o uso dos animais domésticos. Nós aplaudimos a atitude do presidente Evo Morales por dar o maior passo rumo à proteção animal na América do Sul, esperamos que o resto do mundo siga seu exemplo. Agradecemos igualmente a congressista Flores pelos esforços e todas as organizações locais que apoiaram o trabalho da ADI e trabalharam incessantemente para transformar o projeto em uma lei definitiva.“


Sobre a Animal Defenders International

Com escritórios em Londres, São Francisco e Bogotá, a ADI promove a proteção dos animais no entretenimento, fim dos testes em animais, o fim do tráfico de animais, o vegetarianismo e a proteção ambiental. A ADI também resgata animais vítimas de crueldade. Os esforços da organização têm gerado inúmeras campanhas e projetos de lei a favor dos animais em todo o mundo.



Fonte: Agência de Notícias de Direitos Animais - ANDA

Empregos verdes despontam como aposta em nova economia mundial


A crise financeira mundial e a oportunidade de transição para uma nova economia menos carbono intensiva são temas que vêm sendo intensamente discutidos no cenário internacional. A economia verde surge como estratégia inadiável em um cenário no qual as mudanças do clima ditam a necessidade de remodelação de mercados, negócios e tecnologias. Entretanto, a urgência de medidas efetivas segue contrastando com o lento ritmo das ações implementadas pelos países.

“Esse é um caminho de mudanças que está começando a ser trilhado, mas de forma muito gradual. Não há um grande plano, mas sim iniciativas pontuais, embora seja notório que a necessidade de crescimento sustentável está sendo, cada dia mais, incorporada pelos políticos e gestores públicos, por uma questão de sobrevivência econômica”, avalia o técnico de planejamento e pesquisa do Instituto de Pesquisas Aplicadas (IPEA), José Gustavo Feres.

Ele destaca o impacto da crise financeira: o pacote de medidas anticrise representou 7% do Produto Interno Bruto (PIB) nos Estados Unidos e na China chegou a 13%. Os percentuais da União Européia também não são animadores. Dados relativos ao primeiro trimestre de 2009, comparados ao mesmo período do ano passado mostram quedas do PIB nos países europeus. A maior economia do bloco, a Alemanha, liderou a performance negativa, com queda de 2,1%. Na França, a segunda maior economia, a redução foi de 1,2% e na Itália, a terceira maior, foi de 2,4%.

Brasil na contramão?

“As medidas do governo brasileiro para evitar mais impactos da crise financeira não consideram a questão ambiental”, avalia o diretor de políticas públicas do Greenpeace, Sérgio Leitão. Ele destaca que o país está perdendo uma grande oportunidade de estimular a chamada economia verde e de fato promover o desenvolvimento sustentável.

“O governo poderia, ao mesmo tempo, incentivar o emprego e também impulsionar uma economia moderna, que é aquela com baixo consumo de eletricidade, menos carbono intensiva”, aponta o ambientalista.

Na opinião de Leitão, o Brasil só visualiza o lado econômico da crise, sem identificar as possibilidades que podem gerar menos impacto. “As medidas adotadas para fortalecer a indústria automobilística, por exemplo, também poderiam incluir ações compensatórias do ponto de vista ambiental. A redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) poderia ter sido condicionada à maior rapidez no desenvolvimento e na produção de motores adaptados a diesel menos poluente”, critica.

Emprego verde: janela de oportunidades

É nesse contexto que algumas nações começam a sinalizar mudanças em seus planos de recuperação econômica, incluindo uma variável ambiental e apostando nos chamados empregos verdes.

Nos Estados Unidos, o presidente Barack Obama, destinou US$ 500 milhões do seu pacote de estímulo econômico para a criação de milhares desses empregos, estabelecendo, inclusive assessoria específica para incentivar o trabalho verde. O governo americano também anunciou, em 23 de junho de 2009, a injeção de 8 bilhões de dólares para que as montadoras Ford, Nissan e Tesla invistam em tecnologias capazes de tornar os novos carros mais ecoeficientes. O secretário de Energia Steven Chu declarou que os retornos dos investimentos serão convertidos em empregos e menor dependência de combustíveis fósseis.

Outra aposta nos empregos verdes vem do Reino Unido. O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, afirma que boa parte dos investimentos para a recuperação econômica do país previstos no orçamento para o próximo ano fiscal será destinada às iniciativas verdes e promete a criação de 400 mil novos postos de trabalho na área.

O primeiro-ministro também defende uma proposta para que as nações desenvolvidas e em desenvolvimento cheguem a um acordo sobre novos mecanismos para financiar o combate às mudanças climáticas. Ele pede que os países ricos trabalhem juntos em uma cifra global de cerca de 100 bilhões de dólares por ano até 2020 para ajudar países em desenvolvimento a reduzir suas emissões, combater o desmatamento e adaptar às mudanças climáticas.

Em artigo, Ed Miliband, ministro de Energia e Mudanças Climáticas do Reino Unido afirma que o crescente consenso internacional sobre a necessidade de uma guinada para a economia de baixo carbono aponta para esperança, e não desespero.”Ao cooperarmos internacionalmente, podemos, a um só tempo, evitar mudanças climáticas perigosas e ver nossas economias em recuperação de modo sustentável. Uma das questões fundamentais para nosso sucesso continua sendo como acelerar radicalmente a disseminação de tecnologias mais limpas - boas para gerar emprego, para a economia e para o planeta”, destaca Miliband.

Cenário de otimismo

Contrastando com a estimativa de que 50 milhões de trabalhadores em todo mundo podem perder seus postos de trabalho devido à crise econômica, o estudo Empregos Verdes: Trabalho Decente em um mundo sustentável e com baixas emissões de carbono, divulgado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), em 2008, tem um tom de otimismo.

De acordo com o documento, nos últimos anos foram contabilizados 2,3 milhões de novos empregos gerados apenas no setor de energia renovável. Se forem confirmados investimentos previstos de 630 bilhões de dólares até 2030, podem surgir pelo menos 20 milhões de novos empregos neste setor.

Na China, está a grande parte das 600 mil pessoas que estão empregadas na produção de energia térmica solar e na instalação de produtos como aquecedores solares de água; na África do Sul, 25 mil pessoas desempregadas trabalham agora em atividades de conservação como parte da iniciativa Working for Water (Trabalhando pela água).

Entre as possibilidades que se abrem na Nigéria, a indústria de biocombustíveis baseada no cultivo da mandioca e da cana-de-açúcar poderia sustentar e empregar 200 mil pessoas, enquanto na Índia o relatório aponta que até 2015 poderiam ser criados 900 mil empregos na gaseificação de biomassa, dos quais 300 mil vinculados à fabricação de fornos.

Ao mesmo tempo, a OIT chama atenção para o fato de que os governos devem criar condições para que se promova uma “transição justa” em direção a uma economia verde. Neste contexto, devem ser levada em conta a responsabilidade de quem deve adaptar-se às mudanças climáticas, facilitando o acesso a oportunidades de emprego e de atividades econômicas alternativas para empresas e trabalhadores.

“É essencial um diálogo social entre governos, trabalhadores e empregadores, não somente para aliviar as tensões e propiciar a formulação de políticas ambientais, econômicas e sociais melhor informadas e mais coerentes, mas também para envolver os interlocutores no desenvolvimento destas políticas”, avalia o coordenador de Programas de Trabalho Decente e Empregos Verdes da OIT, Paulo Sérgio Muçouçah.

Ele menciona ainda que nos países onde houver apoio político consistente -incluindo objetivos, sanções e incentivos, como leis e normas de eficiência energética, além de recursos para pesquisa e desenvolvimento - serão criados mais empregos. De igual forma, a redistribuição de subsídios, os benefícios das ecotaxas e/ou a venda pública dos créditos de carbono tendem a gerar enormes fluxos de recursos da ordem de centenas de bilhões de dólares. “Esses recursos mobilizados na Europa e nos Estados Unidos seriam suficientes para apoiar economias mais verdes e para a criação de empregos verdes tanto no sul quando no norte industrializado”, argumenta.

Uma boa notícia é que a geração de empregos verdes entrou na pauta de recomendações definida no início de junho de 2009 pela OIT - em meio à 92ª Conferência Internacional do Trabalho. Em uma cúpula sobre a crise mundial e o emprego, a organização destacou a urgência de incentivar a criação de políticas de estímulo ao crescimento e também o fortalecimento de redes de proteção social ao trabalhador afetado pela crise financeira.

Estiveram reunidos em Genebra mais de 4 mil representantes de governos, trabalhadores e empresários em busca de respostas para o impacto da crise financeira sobre a empregabilidade.

Compromisso brasileiro

“O presidente Lula esteve em Genebra e se comprometeu, ao assinar termo de cooperação com a OIT, a implementar o Plano Nacional de Trabalho Decente, o qual traz uma série de iniciativas visando os empregos verdes. Podemos afirmar que este é o primeiro compromisso oficial do governo para incentivar esse tipo de trabalho no país”, explica Paulo Sérgio.

Ele também destaca que o plano apresenta como prioridades gerar mais e melhores empregos com igualdade e oportunidade de tratamento, por meio de investimentos públicos e privados, além de estímulos fiscais e financeiros direcionados a setores estratégicos. Nesse contexto se destaca a promoção do desenvolvimento sustentável, principalmente incentivando empresas e empreendimentos preocupados com a melhoria e/ou conservação da qualidade ambiental. Igualmente importantes são os estímulos para micro e pequenas empresas, cooperativas e organizações de economia solidária e agricultura familiar.

De acordo com Paulo Sérgio, o Plano Nacional de Trabalho Decente será implementado por um comitê executivo interministerial composto por 17 pastas (entre as quais a da Fazenda) e com metas a serem alcançadas em dois momentos: 2011 e 2015.

Brasil já possui mais de 1 milhão de empregos verdes

Mesmo sem ter contado até agora com incentivo do governo o Brasil registra, segundo a OIT, mais de 1 milhão de postos de trabalho considerados verdes e é citado pela organização como um dos líderes mundiais no número de vagas de trabalho na produção de energia derivada de biomassa, juntamente com Estados Unidos, Japão, Alemanha e China.

“Todas as projeções para os países, individualmente, indicam um forte potencial para geração de empregos nos próximos anos e décadas. A instalação e manutenção de painéis solares e sistemas termais solares, particularmente, oferecem uma tremenda oportunidade de empregos”, diz o Paulo Sérgio Muçouçah.

A OIT estima que 500 mil indivíduos trabalhem diretamente com biomassa no Brasil - o que inclui o processamento de cana-de-açúcar para produzir etanol. Outros 500 mil empregos foram criados pelo setor de reciclagem. Segundo o técnico da entidade esses números estão sendo revisados e devem ser bem superiores, uma vez que cerca de 840 mil pessoas trabalham atualmente no corte, colheita e processamento da cana-de-açúcar.

Um porém: a mecanização da colheita

Por outro lado, os postos de trabalho na colheita de cana-de-açúcar estão seriamente comprometidos. Quem faz essa ressalva é o diretor-técnico da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Única), Antônio de Pádua Rodrigues, ao colocar que cerca de 120 mil trabalhadores, somente no estado de São Paulo, devem perder seus empregos por conta da mecanização da colheita. “Se por um lado temos benefício ambiental, por outro temos o desemprego. No Brasil, podem ser 340 mil desempregados devido à colheita mecanizada”, alerta.

Para contribuir com a solução para esse problema, a Única, em parceria com a Federação dos Empregados Rurais Assalariados do Estado de São Paulo (FERAESP) e empresas do setor, lançou em junho de 2009 um programa chamado Renovação, que capacita mão-de-obra para o trabalho em outros elos da cadeia de produção ou para atividades junto a novos setores. A meta é a requalificação de 7 mil cortadores de cana por ano.

“Esses trabalhadores serão futuros motoristas, soldadores e mecânicos e/ou também poderão atuar em outros setores, como hotelaria, apicultura, reflorestamento e construção civil”, explica Rodrigues. O projeto será gerido por um comitê executivo formado por integrantes das entidades e empresas participantes, o qual será responsável pelas definições estratégicas, monitoria e avaliação da iniciativa. No caso dos cursos para as comunidades será adotado um modelo de decisão descentralizado, a partir de propostas dos trabalhadores.

Reciclagem espera por trabalho formal

De acordo com a Associação Brasileira dos Fabricantes de Latas de Alta Reciclabilidade (Abralatas), 95% das latas produzidas no país são recicladas, sendo cerca de 10 milhões somente em 2008, o que representa economia de energia de 95% em relação ao que se consome na fabricação a partir do minério. Isso corresponde ao consumo energético de uma cidade do porte de Campinas.

“A cadeia da reciclagem tem mais de 2 mil empresas e mais de 800 mil trabalhadores em todo o Brasil. Boa parte deles são catadores de latas e a expectativa do setor é que o país pode ampliar seus postos de trabalho se conseguirmos formalizar esse tipo de emprego”, explica o diretor-executivo da Abralatas, Renault Castro.

Ele defende ainda que o governo aprove a Política Nacional de Resíduos Sólidos, que define responsabilidades entre as esferas municipal, estadual e federal e também junto ao setor privado. Além disso, destaca a importância da valorização do trabalho de coleta enquanto emprego verde.

“Nosso setor é autoregulamentado, não temos nenhum incentivo governamental. Os catadores brasileiros precisam ser valorizados, ter a dignidade de contar com carteira assinada. Além disso, queremos que seja feito um elo entre as políticas de reciclagem e a política de mudanças climáticas. Essa relação fica num nível etéreo e não chega ao catador”, defende Castro.

Energias renováveis esperam investimentos

De acordo com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), o Brasil é o maior mercado mundial de energias renováveis. Cerca de 46% de toda a energia consumida no país é proveniente de fontes limpas.

Nesse sentido, o diretor da Associação Brasileira de Refrigeração, Ar-Condicionado, Ventilação e Aquecimento (ABRAVA), Carlos Farias Café, aponta que a energia solar tem inúmeras aplicações e pode ser utilizada para aquecimento de água - que corresponde a 6% de toda energia elétrica consumida no pais - promovendo uma economia de cerca de 18 mil Mega watts (MW).

“A energia solar processada por células fotovoltaicas, converte a luz do Sol em energia elétrica diretamente e já poderia ser amplamente utilizada no Brasil. Existem alguns estudos e caminhos de sucesso consolidados no mundo inteiro, mas aqui essas tecnologias são pouco consideradas. O atual governo apenas soluça a inserção da energia solar na matriz brasileira. Se tivéssemos um governo mais pro ativo na área de energia solar, seriamos com certeza lideres nesta tecnologia”, provoca.

O diretor da ABRAVA menciona ainda que próprio Plano Nacional de Energia coloca metas assustadoramente pequenas para energias renováveis no Brasil. “Em uma ultima apresentação do ministério, falava-se em priorizar carvão, termelétricas e usinas nucleares. Ou seja, andamos a firmes passos na contramão, mesmo que hoje nossa matriz seja relativamente limpa do ponto de vista de emissão de gases de efeito estufa”, critica.




Fonte: Portal REMADE / Envolverde /ANDI Mudanças Climáticas

Desmatamento zero na Amazônia


Valdir Raupp (*)

O presidente Lula fez um comentário que representa a opinião de centenas e centenas de famílias de pioneiros que colonizaram, nos anos setenta e oitenta, a porção leste da floresta amazônica, em especial os estados do Mato Grosso e Rondônia.

Em discurso para produtores rurais do Mato Grosso, saiu em defesa dos pioneiros, que derrubaram árvores, abriram estradas e construíram cidades, incentivados pela política do governo da época, que tinha por lema "Integrar para não entregar".

Lula lembrou que essas famílias realmente trabalharam muito duro, e depois sabiamente comentou que hoje o momento é outro, e que "desmatar vai contra a gente, e vai nos prejudicar no futuro".

Sei muito bem o que enfrentaram essas pessoas. Venho de uma família de agricultores catarinenses e participei desse processo migratório. Da mesma forma que vivi o processo de colonização dessas terras, compreendo e defendo a importância de se proteger a floresta para as próximas gerações.

Por entender essa necessidade, como senador da República pelo estado de Rondônia, apresentei em setembro de 2008 um projeto de lei (PLS 342/08) em que defendo uma política de "Desmatamento Zero", válida pelos próximos dez anos. A íntegra desse projeto é de domínio público e seu acesso está disponível na página do Senado Federal.

Creio que é possível atingir esse objetivo, desde que haja incentivos reais para os produtores. Com a quantidade de terras já desmatadas na região, acredito que é perfeitamente viável produzir e lucrar a partir das novas tecnologias disponíveis, sem precisar derrubar mais nenhuma árvore.

O projeto já recebeu o apoio das entidades representativas dos pecuaristas e do agronegócio de Rondônia e de outros estados da região amazônica. Entendem estes produtores que o desmatamento não é a opção desejada, porém, falta apoio concreto do governo para que essas propostas sejam economicamente viáveis.

O presidente Lula já manifestou claramente sua posição sobre a importância de se evitar as queimadas e a derrubada das florestas, principalmente agora, em que vivemos a estação de seca amazônica. Quem mora em nossa região sabe que, de maio a novembro, ocorre a maior parte das derrubadas, em virtude do clima.

Portanto, acredito que devemos imediatamente aprofundar a discussão no Congresso Nacional e junto a toda a sociedade brasileira sobre o projeto do "Desmatamento Zero". Afirmo que será mais produtivo falarmos sobre uma proposta que já está tramitando e que reúne tratativas que, de uma forma ou de outra, vão ao encontro do que pensam tanto os representantes do agronegócio quanto os ambientalistas, que com razão defendem o fim do desmatamento.

A Amazônia hoje é prioridade nacional. Vamos dar condições de trabalho e renda para quem produz e teremos os melhores guardiões de nossas florestas. Sem hipocrisia, sem discursos vazios, mas com propostas concretas e vontade política, teremos plenas condições de resolver essa questão.

E para as pessoas que estiverem de acordo com minhas propostas, peço que coloquem sua assinatura em nossa página na internet e colaborem para a aprovação dessas premissas, pelo bem da Amazônia e do Brasil.


(*) Valdir Raupp é senador (PMDB-RO)

Terça-feira, 7 de Julho de 2009

Angelus Figueira denuncia nova mutreta em Manacapuru


O município de Manacapuru, a 84 km de Manaus, deve pagar mais de R$ 13 milhões do saldo de caixa que a cidade possui a título de “restos a pagar”, segundo assegurou hoje o deputado estadual Angelus Figueira (PV). A revelação foi feita mediante números apresentados na tribuna da Assembleia Estadual do Amazonas (Aleam). Conforme o parlamentar, o saldo de caixa de Manacapuru está na ordem de R$ 18.386 milhões, sendo que na relação de restos a pagar o valor é de R$ 25.999 milhões, uma diferença de despesa de R$ 6.712 milhões. Ele ressalta, no entanto, que no saldo final do balanço não foi incluso o pagamento do funcionalismo.

Maquiagem
Para Figueira, os números são estarrecedores e o balanço de Manacapuru traduz de forma clara e perfeita “a intenção de esconder algo errado”, observou, salientando ainda que a prefeitura contabilizou o recurso do Fundo de Aposentadoria e Pensão dos Funcionários. De acordo com Angelus Figueira é preciso ser observado o artigo 42 da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) que trata da impossibilidade da administração do ex-prefeito (Uóxito Régis) deixar para o novo prefeito (Bessinha) essa conta milionária de restos a pagar.

Prosaminzinho
O deputado Angelus Figueira também denunciou que o Programa Sócio-Ambiental dos Igarapés, chamado em Manacapuru de Prosaminzinhopor ser semelhante ao que existe na capital amazonense, está há um ano com as obras paralisadas. Ele lembrou que dos R$ 10 milhões destinados a construção do empreendimento, houve a liberação - por parte da Caixa Econômica Federal (CEF) - de R$ 3.987 milhões, sendo que não houve sequer R$ 300 mil de obras.

Novas denúncias
O deputado verde argumentou que há 60 dias trouxe a tribuna da Casa Legislativas fotografias que evidenciava que naquela localidade não havia problema de enchente, portanto, não procedia a versão de que a subida das águas seria o verdadeiro motivo da paralisação das obras. Durante o discurso, ele apresentou reportagem de um periódico local, com reportagem sobre o abandono do Prosaminzinho. A Prefeitura de Manacapuru, até agora, não se pronunciou a respeito nem deu uma resposta satisfatória para a paralisação das obras. Tudo indica que o Prosaminzinho não passou de mais um “blefe” eleitoreiro para eleger o atual prefeito.

A novela do doutorado
As falsas informações sobre a formação acadêmica da ministra Dilma Rousseff, denunciadas pela revista Piauí (em seu site, depois de suas correções, ainda permanece sua identificação como “mestre em teoria econômica pela Unicamp e doutoranda em economia monetária e financeira”, o que já foi desmentido pela própria universidade), começam a se transformar em mais uma novela do atual governo. Agora, revela-se que as mesmas informações estavam no site da Plataforma Lattes, do CNPq – Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientifico e Tecnológico. Lá, quem fornece falsas informações pode ser punido pelo Código Penal (falsidade ideológica) e todos esses lances já estão abastecendo o banco de dados da oposição, para alimentar a artilharia do ano que vem. Até mesmo no Planalto, muita gente não consegue entender esse comportamento da ministra-candidata. Afinal, o chefe não tem formação alguma, não lê jornais, não lê livros, é monoglota e é recordista de popularidade na história política recente do país.

Franklinstein
Lula tem o site da Presidência, o programa de rádio Café com o Presidente, as novas colunas espalhadas em jornais do país, está chegando um blog e até um twitter, tudo para aumentar sua comunicação, num esquema armado pelo ministro Franklin Martins e apelidado de sistema Franklinstein. O blogueiro contratado por Martins chama-se Jorge Cordeiro e sua incumbência seria falar tudo o que o ministro não pode falar. E sem limites: vale fazer terrorismo, atacar família, filhos e até doenças. Primeiras vítimas: Ricardo Noblat e Reinaldo Azevedo.

Brasil real
O Ministério Público Federal investiga contratos assinados pela prefeitura de Santa Luzia (PB) com empresas que organizaram festas juninas em 2007 e 2008. Este ano, a cidade, que tem 14 mil habitantes, recebeu R$ 700 mil para as festas de São João. Os recursos saíram do Ministério do Turismo, por emendas parlamentares assinadas pelos senadores Efraim Morais (DEM) e Cícero Lucena (PSDB). O site Congresso em Foco lembra que esses R$ 700 mil representam apenas um exemplo de como são liberados os recursos federais. Nos últimos 20 anos, mais de R$ 70 bilhões foram liberados em convênios entre prefeitura, estados, ONGs e governo – e sem nenhuma fiscalização.

Fazendo as contas
Enquanto aguarda a volta de Lula de seu tour entre França e Itália, José Sarney e seu staff fazem as contas: com PT, PMDB, PP, PRB, PSB, PDT e PTB, o presidente do Senado calcula ter 54 colegas do seu lado. Sobram 27.

Choque viral
Na semana passada, quando voava entre Angola e São Paulo, a bordo de um jato particular, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso teria sofrido um desmaio obrigando o piloto a fazer uma escala em Recife. Medicado, constatou-se que não foi nada demais: apenas um choque viral. E já em São Paulo, FHC está em ordem – ou melhor, tinindo.

Genética
Diversas colunas brasileiras comentaram que a ministra Dilma Rousseff exibia, há dias, uma bolsa Kelly, preciosidade da Hermés que custa em torno de 4.700 euros. Mais do que depressa, ela avisou que era um modelo Francesco Rugani, comprado em Veneza, numa liquidação. No duro mesmo, seria a primeira bolsa genérica (é exatamente igual à original) com direito a uma assinatura.

Jogo pesado
Circula pela Internet, a propósito do aumento de corrupção nos meios políticos brasileiros, guerrilheiros e terroristas anistiados, mais ações organizadas do PCC, domínio por traficantes de morros no Rio e zonas de periferia de São Paulo e invasão de propriedades produtivas pelo MST, uma verdadeira corrente, movida por grupos mais radicais, que se inspira no famoso general Norman Schwarzkopf do Exército americano. E repetem sua não menos famosa resposta quando lhe perguntaram se perdoaria os terroristas do 11 de Setembro de 2001: “Eu creio que a tarefa de perdoá-los cabe a Deus. A nossa é de simplesmente promover o encontro”.

Mais um
O empresário Nelson Tanure, da CBM – Cia. Brasileira de Multimídia, estuda também a possibilidade de devolver o Jornal do Brasil para Nascimento Brito, repetindo o que fez com a Gazeta Mercantil em relação ao Luis Fernando Levy. Um dos mais tradicionais jornais brasileiros, o JB acertou em seu novo formato tablóide, seguindo uma tendência européia e a preços populares. Hoje, é dirigido por Marcos Troyjo, diplomata e escritor e em seu quadro de profissionais, tem nomes históricos, de Villas Boas Correa a Mauro Santayana e de Tales Faria e Hildegrad Angel.

Duelo
Pão de Açúcar e Carrefour estão, de novo, em guerra: disputam a compra da rede Atacadista Roldão, com dez lojas na Grande São Paulo e faturamento anual de R$ 700 milhões. Abílio Diniz já vinha negociando, sem apresentar oferta formal. O Carrefour, afetado pela venda do Ponto Frio ao Pão de Açúcar (e perda da liderança no ranking do varejo brasileiro) foi com tudo e está oferecendo R$ 350 milhões, ou seja, o equivalente a 50% da receita do Roldão.

Primos entre si
O deputado federal Jader Barbalho (PMDB-PA), que foi presidente do Senado e obrigado a renunciar, debaixo de uma chuva de denúncias, vai se candidatar, em 2010, ao mesmo Senado – e com planos de voltar à presidência. Renan Calheiros (PMDB-AL), que também renunciou à presidência do Senado, debaixo de outra chuva de denúncias, concorrerá à reeleição, no ano que vem e com a mesma idéia de retorno na cabeça. Mas, quem conhece os dois – e chegam a considerá-los primos entre si em determinadas áreas – apostam que deverão se entender sem nenhum problema.

Dilma à paulista
Em agosto, a ministra Dilma Rousseff inicia, no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, novo tratamento de vinte dias de radioterapia. Serão sessões diárias de meia hora, cinco dias por semana. Se estiver se sentindo bem, a intenção de Dilma é despachar em São Paulo mesmo, provavelmente numa sala do prédio do Ministério da Fazenda, não muito distante da Estação da Luz.

Ternos e gravatas
Além do festival de copos de cristal com selo de ouro, a Presidência da República está comprando também 1.380 pratos de porcelana branca para mesa, com friso dourado (raso, fundo, sobremesa e apoio) e outros 1.112 com o desenho colunas do Alvorada. De quebra, um balde de aço de 4,5 litros para champanhe. E mais: empenhou ainda outros R$ 40 mil para a compra de 48 ternos completos, 144 camisas de tecido liso, sob medida, 48 gravatas de seda, 96 pares de meia social masculina, 48 cintos de couro, 48 pares de sapatos, 24 calças sociais e 24 sobretudos.

Melhor segurar
O maior medo de Lula, de olho na crise do Senado, é que ela ultrapasse os limites da Casa e se transforme num processo de desgaste generalizado, como aconteceu com o mensalão. Quando ele banca José Sarney, está mais preocupado em estancar a sangria que, de repente – afinal, nunca se sabe – pode provocar alguma marolinha no Planalto.

Sonho meu
O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, começa a achar que seria “o candidato natural” à vice-presidência, ao lado de Dilma Rousseff. Lula não acha, Dilma tampouco e menos ainda o presidente da Câmara, Michel Temer.

Pérola do dia
“Ô, Suplicy, você acha que alguém vai acreditar que você, há quase 18 anos ali, não tinha idéia do que acontecia no Senado?”, de Lula, em jantar com senadores do PT, ironizando a postura ética do senador Eduardo Matarazzo Suplicy (PT-SP).

O Tião Viana é pop e não poupa ninguém


No final da semana passada, antes de viajar para Paris, o presidente Lula jantou com senadores do PT, para tratar da crise no Senado e Tião Viana (PT-AC), que concorreu à presidência da Casa e foi derrotado, avisou o Chefe do Governo que havia dado uma entrevista à Veja atacando José Sarney (PMDB-AP). Lula achou a entrevista “um pouco precipitada”, num momento em que se tenta não dividir as forças petistas e peemedebistas no Senado – e fora dele, com vistas a 2010. E Tião Viana contou também que havia enviado ao Ministério Público Federal dossiê repleto de desmandos cometidos pelas administrações do Senado, de acordo com relatos de funcionários. No capítulo dedicado “ao grupo de Sarney”, que incluiu outras administrações, o dossiê teria provas de irregularidades em contratos com empresas prestadoras de serviços e em outros, o que teria gerado um desfalque de cerca de R$ 30 milhões à Casa.

Carguinhos
Numa conversa informal com os senadores do PT, Lula confessou que José Sarney, vira e mexe, sempre lhe pede a nomeação de algum apadrinhado para determinados cargos: “Ele é o presidente do Senado e fica me pedindo um carguinho aqui e outro ali”. Mesmo assim, depois de ouvir histórias de diversos senadores, o Chefe do Governo ainda emendou: “Vocês acham ruim com o Sarney, mas será pior sem ele”. Na sexta-feira, antes de voar para Paris, mandou outro recado aos aliados do Senado: “Quando eu voltar, sento com o pessoal do Senado e resolvo essa crise em dois minutos”. Ao mesmo tempo, determinou aos ministros José Múcio e Paulo Bernardo que acertem, até hoje, um cronograma de desembolso de emendas parlamentares, com a liberação de mais de R$ 1 bilhão.

Suíte de 300 metros quadrados
O Hotel Le Meurice, em Paris, que integra a Dorchester Collection (fica no coração da cidade, na Rue de Rivoli), foi o escolhido para hospedar Lula e sa entourage até hoje, terça-feira, quando ele recebe o prêmio da Unesco de colaboração para a paz. O Le Meurice fica perto do Jardin des Tuileries e de lojas como Colette, Dior, Chanel, Gucci e Dolce & Gabbana. Lula está numa das duas suítes presidenciais do primeiro andar. Cada uma tem 300 metros quadrados e a diária custa mais de 8 mil euros. Já os ministros Franklin Martins, Tarso Genro e Juca Ferreira ocupam suíte menores, com vista para o Jardin des Tuileries, com diária de 3 mil euros. A caravana presidencial só volta ao Brasil na próxima sexta-feira: antes passa pela Itália.

A vida é bela
Com essas viagens para França e Itália, o presidente supera 80 dias fora de seu gabinete, neste ano, passando por 21 países diferentes, incluindo Estados Unidos, Rússia, Cazaquistão, Catar, Inglaterra, França e Itália, além dos vizinhos da America do Sul. De janeiro para cá, visitou 60 cidades brasileiras, algumas mais de uma vez, como São Paulo e Rio de Janeiro. Só no mês de junho, foram 14 dias de viagem, sendo oito no exterior.

Gênio forte ou mais
Grosserias publicas como a cometida com o secretário-executivo do Ministério da Integração Nacional, Luiz Antonio Eira, que preferiu pedir demissão, fazem com que até políticos da base aliada tenham um pé atrás com Dilma Rousseff, devido a seu gênio forte – ou mais do que isso (alguns chamam-na, pelas costa, de “casca grossa”). O destempero verbal de Dilma é mais do que conhecido no Planalto, onde vira e mexe, despeja palavrões em todas as direções. Até hoje, estima-se que ela não tenha engrossado ainda apenas com Lula e José Alencar. Com o presidente da Petrobras, a ministra-candidata chega a berrar pelo telefone: ela se considera chefa de José Sergio Gabrielli porque nunca quis sair da presidência do Conselho da estatal, cargo que deveria estar ocupado pelo ministro Edison Lobão. Sua expressão favorita para começar a criticar alguém: “Imbecil!”

Nova carga
A revista Piauí, que está nas bancas, volta a dedicar grande espaço à ministra Dilma Rousseff: de cara, garante que, nos anos 80, foi demitida do cargo de diretora-geral da Câmara Municipal de Porto Alegre, porque “chegava atrasada ao trabalho”. Depois, informa que ela não é mestre em teoria econômica e tampouco doutorada em economia monetária e financeira na Unicamp. Na universidade, não há registro de matricula de mestrado e o doutorado foi abandonado. As informações sobre mestrado e doutorado estão no currículo de Dilma, no site da Casa Civil.

De olho na História
Quando resolveu indicar para a Procuradoria-Geral da república o nome de Roberto Gurgel, vice de Antonio Fernando de Souza, que denunciou “a organização criminosa” do mensalão, Lula estava pensando muito além do que apenas atender sugestões da Associação Brasileira do Ministério Público e mesmo às expectativas de Gilmar Mendes, presidente do Supremo. Se nomeasse Wagner Gonçalves, favorito de José Dirceu e Marcio Thomas Bastos, poderia dar a impressão de que estava indicando um novo procurador-geral que iria na contramão de Antonio Fernando de Souza. E entre pensar na “organização criminosa” e passar à História, ficou com a segunda.

Mão no microfone!
A gravação do repórter do CQC, Danilo Gentili, sendo empurrado e mesmo jogado no chão, na semana passada, quando tentava entrevistar José Sarney, foi ao ar nesta segunda-feira, e um dos agressores, já identificados, é um ajudante de ordens do presidente do Senado, embora não seja funcionário da Casa. Ele atende pelo nome de Picolo, faz parte do grupo de ajudantes que todo ex-presidente tem e trabalha com Sarney há mais de vinte anos. E na gravação, há um trecho hilário: à certa altura, Picolo empurra Gentili, chegando a segurar no microfone dele. Quando se afastou, o repórter não deixou por menos: “E aí, gostou de pegar no meu microfone?”

Borracha na pista (1)
Desde a tragédia da TAM em Congonhas, em julho de 2007 e tão logo Nelson Jobim assumiu o Ministério da Defesa, conseguindo depois a nomeação de Solange Vieira para a Anac – Agência Nacional de Aviação Civil, a remoção de excesso de borracha acumulada nas pistas dos principais aeroportos do país, é considerada prioritária. O que não quer dizer que os serviços tenham sido executados: entre os principais aeroportos brasileiros, pelo menos dez apresentam tamanho volume de borracha na pista que a Anac desaconselha aterrissagens em dias de chuva, incluindo Santos Dumont e Congonhas, onde o trabalho foi feito pela metade.

Borracha na pista (2)
Agora, a Infraero teve uma licitação de R$ 21 milhões suspensa na justiça: queria comprar equipamentos para limpar o volume de borracha nas pistas e só depois, contratar empresas que operassem essas máquinas. Os melhores equipamentos são de fabricação italiana e a empresa que conseguiu sustar o processo de compra, tem a representação das máquinas e sabe operá-las, o que diminuiria o prazo do trabalho – e impediria que parte dos equipamentos virasse sucata, devido a problemas de logística em todo o país. Hoje, o aeroporto de Fortaleza está tendo a borracha retirada por um processo obsoleto. Lá, contudo, não dava para esperar mais: a ameaça de tragédias era iminente.

Sucata é pouco
O primeiro Boeing 737 a entrar em operação no Brasil, em julho de 1969, já está mais do que sucateado e faz parte do lote de 10 aeronaves estacionadas no Aeroporto de Confins, em Minas Gerais, pertencentes à massa falida da Vasp. O Boeing está avaliado em R$ 630 mil e, com as outras aeronaves, foram a leilão, há duas semanas, sem que aparecessem quaisquer compradores. Setores da aviação estão iniciando uma campanha pedindo a doação do Boeing histórico para um dos museus aeronáuticos do Brasil.

Até filme
O senador Mão Santa (PMDB-PI) tem dito e repetido, em plenário e em entrevistas, que o atual governo do Piauí (antes, com o cassado tucano Cássio Cunha Lima e, agora, com José Maranhão) “tem batido todos os recordes da história do Brasil em corrupção”. Acaba de doar R$ 1 milhão para a realização de um filme sobre a vida do cantor, compositor, ex-deputado federal e atual vice-prefeito de São Bernardo do Campo, em São Paulo, o piauiense Frank Aguiar. Inspirado em "2 Filhos de Francisco" e no filme "Lula, filho do Brasil", o forrozeiro quer rodar "Os Sonhos de um Sonhador". Fora essa doação, ele acredita que levante o resto do dinheiro da produção através da Lei Rouanet.

Em boa companhia
A edição da revista Time desta semana dedica grande matéria à desesperança econômica dos Estados Unidos, Europa, Japão e, pela primeira vez, trata de colocar a Rússia fora do bloco de países que poderão alavancar a economia global nesta crise. E lança o BICs (Brasil, Índia e China) no lugar do BRICs (onde estava incluída a Rússia). Ao mesmo tempo, o Financial Times destaca como os emergentes estão alcançando proporção recorde dos papéis mundiais. No caso do BICs, o Brasil estará em suposta boa companhia: a Índia tem 1,2 bilhão de habitantes e 836 milhões vivem em pobreza total e a China tem 1,3 bilhão de habitantes e 420 milhões em estado de pobreza absoluta (só que são dados oficiais de um país comunista, sujeitos a chuvas e trovoadas). O Brasil tem 12 milhões de famílias em estado de subnutrição (fome). E os três estão incluindo nos 42% dos famintos do planeta.

Rede de controle
Já em andamento para ser adotada em diversos estados brasileiros ganha corpo, a cada dia que passa, o projeto do Tribunal de Contas da União de formar uma rede de controle da gestão pública, com a participação de instituições que atuam na fiscalização de recursos públicos. O presidente da TCU, Ubiratan Aguiar, articulador do projeto, entende que a atuação conjunta e articulada dos órgãos de fiscalização evita a superposição de ações. No duro mesmo, o objetivo maior é localizar focos de corrupção que possam estar alastrados em diversos estados.

Túnicas e botox
Não foi apenas o resultado de cirurgias plásticas (e aplicação de muito botox no rosto) de Muammar Kadafi, que surpreendeu Lula em sua recente visita à Líbia. O Chefe do Governo brasileiro também gostou muito das multicoloridas túnicas sobrepostas, usadas ditador da Líbia e trouxe alguns exemplares para casa. A primeira-dama Marisa Letícia organiza uma espécie de coleção de trajes típicos dos países visitados pelo maridão enquanto presidente. Se bem que, entre as túnicas de Kadafi e as guayaberas de Evo Morales, em publico, Lula continue preferindo a segunda opção. A propósito das plásticas: a primeira cirurgia de Kadafi foi feita, há muitos anos, por um brasileiro, o veterano cirurgião plástico Munir Cury.

Bloco de choro
Na cola da história de que a ministra Dilma Rousseff teria berrado, no telefone, com Sérgio Gabrielli, presidente da Petrobras, chegando a lhe provocar até choro, o folclore político de Brasília conta agora que o ministro Edison Lobão, de Minas e Energia, resolveu telefonar (queria patrocínio para um show de Alcione) para Wilson Santarosa, homem de comunicação institucional da estatal e que controla muitos milhões (no passado, foi incluído no rol dos aloprados), para testar seu prestigio. A secretária disse que “o doutor Santarosa estava com gente na sala” e que retornaria, provocando a ira de Lobão, que exigiu a transferência da ligação no ato e desancou o próprio. Santarosa teria, então, ido chorar no banheiro. Do seu lado, Gabrielli está avisando que nunca chorou depois de qualquer discussão com Dilma: “Somos civilizados”.

Bebendo com ouro
Sempre preocupada com sua imagem, a Presidência da República está reservando em orçamento R$ 95 mil para a compra de diversos materiais de porcelana e cristal (R$ 88 mil no total) e outros itens complementares. Fazem parte da lista de compras 500 taças de cristal, com selo de ouro (para água), 98 taças de cristal para vinho branco e 344 para tinto, 54 para licor, 148 copos para uísque, 62 para conhaque, 148 para coquetel, 344 taças para champanhe, 104 copos para aperitivos e 348 copos de meio cristal para água.

Mais corrupção
A cada ano, segundo estudos, a corrupção desperdiça de 5% a 10% do Produto Interno Bruto brasileiro, embora a clandestinidade e anonimato dos atos corruptos não permitam precisão absoluta. Dessa forma, em 2008, os prejuízos poderiam ter chegado e a R$ 144 bilhões. O Tribunal de Contas da União, transformado num verdadeiro templo caça-corrupto, entre ações, multas, condenações e restituição de recursos desviados, já teria gerado benefícios financeiros para os cofres públicos de R$ 49,6 bilhões nos últimos cinco anos. Só no primeiro semestre deste ano, os benefícios superaram R$ 2,6 bilhões.

Pequenos crucificados
A Procuradoria Geral da União já está divulgando, em sua página na internet, o nome de mais de um milhão de devedores, entre pessoas físicas e jurídicas, inscritos na Dívida Pública da União. O novo listão não inclui pessoas com débitos previdenciários ou que tenham ação judicial questionando o débito e por isso, mais um milhão de devedores ficaram de fora. No total, as dívidas somam R$ 650 bilhões. O maior volume é de pequenas e médias empresas porque os grandes conglomerados possuem eficientes blocos jurídicos capazes de questionar essas dívidas por muitos e muitos anos.

Humor na web
A liberdade da Internet leva, na maioria dos casos, a exageros desmedidos em todas as suas frentes e a um colossal volume de e-mails trocados, sobre todos os segmentos, que, literalmente, nada acrescentam ao cotidiano dos brasileiros. Mas, de vez em quando, surge alguma legitima pérola de bom humor, como a que anda sendo repassada entre fiéis de diversas religiões. Em cima, está escrito Nota Oficial do Vaticano. E em baixo, o seguinte texto: “Sejam todas as mulheres informadas de que, deitadas na cama, nuas, enroscadas com alguém e gritando Oh, meu deus! Oh, meu deus! Oh, meu deus!, não será considerado como uma prece!”

Segunda-feira, 6 de Julho de 2009

Quem sai primeiro: Sarney ou a CPI da Petrobras?


Ele está no poder há exatos 54 anos. Deu ao Brasil a maior taxa de inflação do mundo. Voraz como uma cobra caninana, repartiu com a escória política verde-amarela o maior lote de canais de rádio e TV da história. Matreiramente, montou um império de comunicação no Maranhão, onde atingiu status de semi-deus imortal (lá, até sua tumba já foi construída com dinheiro público!). Com a morte de Tancredo, chegou à Presidência da República. Depois, diante de queda moral vertiginosa, teve a cara-de-pau de criar domicílio falso no Amapá para poder continuar aboletado no carguinho de senador em Brasília.

PT na vanguarda do atraso

O jornalista Clovis Róssi, na última quinta-feira, na Folha de S. Paulo, fez o relato mais preciso do drama do PT: querer manter a pose de defensor dos pobres e oprimidos ao mesmo tempo em que ajuda a pior canalha da História da República a se perpetuar no poder. Leia a reflita:

PARIS - Indecente. Pusilânime. Vergonhoso. Que mais se pode acrescentar a respeito do comportamento do PT no episódio José Sarney? Xingar a mãe, não posso. É proibido pela etiqueta desta página. Mas seria o correto.

Não vou nem lembrar o passado combativo do partido e de seu líder, Aloizio Mercadante, em episódios anteriores à chegada ao governo federal. Esse passado já foi sepultado faz tempo.

Ajuda-memória: pelo episódio do mensalão, o procurador-geral da República, nomeado pelo presidente de honra do PT, um certo Luiz Inácio Lula da Silva, acusou a cúpula petista de formar uma "quadrilha". O Supremo Tribunal Federal, com o voto de ministros também indicados por Lula, decidiu haver indícios suficientes para aceitar a acusação e proceder ao julgamento, aliás em curso.

Fica claro que o passado de supostos campeões da moralidade pública está morto e bem enterrado. Mas o presente podia ao menos guardar um mínimo de coragem, de vergonha na cara. Podia, por exemplo, defender Sarney pura e simplesmente, fosse qual fosse o argumento ou pretexto a utilizar: necessidade de não tumultuar o cenário político, falta de elementos concretos para afastar o presidente do Senado -enfim, qualquer dessas desculpas que os políticos se habituaram a usar para serem coniventes com trambiques.

O que não cabia é deixar de apoiar Sarney mas apenas por 30 dias, que foi o prazo dado pelo partido para o afastamento do presidente do Senado. Tampouco cabia sugerir uma comissão para uma reforma administrativa da Casa, sem menção a punições pelas irregularidades já descobertas e já confessadas. Se algumas são legais, nem por isso deixam de ser todas vergonhosas, muito vergonhosas. O PT fechou enfim um círculo: passa de suposta vanguarda das massas à cúmplice do atraso.

FRASE DO DIA

"Lula nada fez para evitar a desconstrução e a perda de autoridade moral do Congresso. Os partidos estão mais fracos e deteriorados do que antes de sua posse. E é papel do chefe de Estado fazer com que as instituições como o Parlamento sejam vigorosas."

Senador Tião Viana (PT-AC)

Sarney quer auditoria externa em contas do Senado

De Adriana Vasconcelos, de O Globo:

O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), determinou neste domingo ao diretor-geral da Casa, Haroldo Tajra, a contratação de uma auditoria externa para verificar a regularidade da movimentação de três contas correntes mantidas pela instituição desde 1991, que centralizam as contribuições mensais pagas pelos usuários do Sistema Integrado de Saúde (SIS) - que são os funcionários do Senado Federal e seus dependentes.

De acordo com reportagem do jornal "Folha de São Paulo", o saldo dessas três contas soma atualmente R$ 160 milhões, mas não consta na contabilidade oficial da Casa nem do Siafi (Sistema de Acompanhamento dos Gastos Públicos). E a única fiscalização sobre a saída de dinheiro dessas contas seria feita por uma comissão de 11 servidores indicados pelo ex-diretor-geral do Senado Agaciel Maia, mas que nunca se reuniu para auditar esses gastos.

DEU NA FOLHA DE S.PAULO

A pão e água

Da coluna Painel:

Nem bem conseguiu equilibrar minimamente José Sarney na presidência do Senado, o PMDB parte com tudo para uma ofensiva contra a oposição. Primeira determinação: acabou a brincadeira de CPI. Renan Calheiros tem dito claramente que vai usar a força da maioria para impedir o funcionamento das investigações sobre a Petrobras e o Dnit.

Se a oposição insistir, a arma pode ser mais pesada: o círculo próximo de Sarney avalia ter elementos para representar contra Arthur Virgílio (PSDB-AM) no Conselho de Ética. "Ele é réu confesso de uma série de irregularidades", afirma um renanzista.

Quinta-feira, 2 de Julho de 2009

Interpelando ato vil


Gaudêncio Torquato (*)

A historinha é conhecida e, por ser muito boa, merece um repeteco.

Rui Barbosa, o Águia de Haia, chegava em casa, à noitinha, quando ouviu um barulho vindo do quintal. Chegando lá, viu um ladrão tentando levar seus patos de criação. Aproximou-se vagarosamente do indivíduo e, surpreendendo-o, ao tentar pular o muro com seus amados patos, passou-lhe um pito:

- Oh, bucéfalo anacrônico! Não o interpelo pelo valor intrínseco dos bípedes palmípedes, mas sim pelo ato vil e sorrateiro de profanares o recôndito da minha habitação, levando meus ovíparos à sorrelfa e à socapa. Se fazes isso por necessidade, transijo; mas se é para zombares de minha elevada prosopopéia de cidadão digno e honrado, dar-te-ei com minha bengala fosfórica bem no alto da sua sinagoga, e o farei com tal ímpeto que te reduzirei à quinquagésima potência que o vulgo denomina nada.

E o ladrão, perplexo e confuso, com um fio de voz, perguntou:

- Doutor, eu levo ou deixo os patos?

Lula fecha a roda

Quase todas as semanas, Lula fixa mais um eixo na roda eleitoral. Além da prorrogação da redução do IPI para a linha branca – eletrodomésticos e automotiva – o pacote de benefícios abrange materiais de construção civil e bens de capital. Ao lado do consumo, o governo quer incentivar os investimentos. Lula atinge o coração da classe média, depois de ter atirado em direção às massas: Luz para Todos, Minha Casa, Minha Vida, Pronaf (agricultura familiar), etc. Ao fundo, o PAC e o canteiro de obras. Em todos os lados, o palanque com Dilma. No centro, o gogó possante. Sob inflação dominada e animação dos economistas.

Segura essa onda, Serra

José Serra segurará essa onda? Muitos dizem que sim. Outros dizem que não. Está muito longe de uma linha mais clara no horizonte. Uma coisa é certa: Dilma irá ao palanque faceira e, segundo os médicos, curada. Se chegar ao fim de ano com 25% de intenção de voto, poderá, em pouco tempo, se aproximar do índice de Serra. Serra é um candidato mais preparado, experiente e talhado para o cargo. Nem sempre, porém, os melhores ganham. As circunstâncias determinam os caminhos das derrotas e vitórias. O clima ambiental de 2010 – mais confortável, menos confortável, mais estável, menos estável – fará o presidente da República.

Segura Sarney, PT

Lula deu a ordem ao PT: segurem o Sarney, porque o governo precisa dele. Mas o PT dá impressão de que refuga a ideia. Associa-se à onda oposicionista que se espraia pelos corredores do Senado. Ao fundo, uma vingança de Tião Viana, sobre o qual passou o rolo compressor de Renan/Sarney. Vamos ver até onde a ordem de Lula será cumprida.

Segura Ciro, PT

Ao que se sabe, outra ordem de Lula teria sido dirigida ao PT paulista. Nesse caso, para acolher o nome de Ciro Gomes e sua candidatura ao governo de São Paulo. Ciro, por sua vez, deve examinar pesquisas e tendências. Mas o PT paulista não tem intenção de seguir a ordem de Lula. Dos 16 deputados estaduais, 15 manifestam intenção de jogar na roda da candidatura petista ao governo o nome de Emídio de Souza, prefeito de Osasco. A conferir se a ordem de Lula será cumprida.

Ciro e as tendências

Não será fácil a Ciro Gomes embarcar numa candidatura ao governo de São Paulo sem ter feito, por aqui, vida política. Ele é paulista de Pindamonhangaba. Poderá alegar isso. Mas, convenhamos, uma candidatura em São Paulo de alguém com vida pública no Ceará é um risco muito grande. Seria criticado pelo oportunismo. Ademais, Ciro coleciona uma série de impressões negativas sobre o poderio paulista. A arrumação desse acervo acertaria bem no coração da eventual candidatura. O eleitor paulista é racional, mas não despreza a emoção, caso seja atingido por expressões negativas.

As cartas do jogo

"Um jogador pode ter boas cartas – bons projetos e operações – em um jogo de baralho, mas pode não saber jogar e perder o jogo para outro jogador que recebeu cartas inferiores mas tem uma melhor estratégia de jogo. A metáfora compara o projeto prescritivo do plano às cartas que o jogador possui. O plano tradicional limita-se a dizer: 'estas são as cartas com as quais devemos e precisamos jogar'. Mas é evidente que o plano não se pode limitar a isso ou seja, não se pode comprometer com uma proposta prescritiva sobre o que se deve fazer. É imprescindível que se explorem estratégias de jogo para que se descubra o máximo que pode ser feito com eficácia." (Carlos Matus, cientista político chileno)

150 anos de prisão

Com 71 anos, Bernard Madoff foi condenado a 150 anos de prisão. Morrerá na prisão, mesmo cumprindo menos de um terço. É hora de perguntar: por que tanta ambição em ganhar dinheiro? Vale a pena alguém lutar para construir pirâmides de fortuna, se a curva do destino fica à espreita do afortunado? Por que tanta ambição?

Família Jackson e as contas

Michael Jackson teria uma dívida entre US$ 400 milhões a US$ 800 milhões, segundo se lê na imprensa. Teria um patrimônio entre US$ 1,5 bilhão a US$ 2 bilhões. O pai, que detestava, e a mãe, distante, só pensam naquilo: quanto é a grana, quanto é grana? A guarda dos três filhos de Michael pela mãe será o guarda-chuva da fortuna. Argh... Quanto interesse pelo vil metal!

Itamar quer voltar

Itamar Franco quer voltar à lide. Entrou no PPS, o partido do ex-senador e ex-deputado Roberto Freire. Itamar expressa moral. Tem uma índole impermeável à baixa política. Pode ser candidato ao Senado, apoiado por Aécio Neves, em 2010. Seria uma volta mais que desejável para oxigenar a Câmara Alta nesse momento de ar contaminado.

CPI no espaço

A CPI da Petrobras está no espaço em compasso de espera para aterrissar. O PMDB, que tem a carta decisiva do jogo, adia a instalação da CPI. Ademais, o ambiente no Senado não comporta mais tumultos. A Casa está um pandemônio. O presidente Sarney mais parece um dândi na escuridão. Heráclito Fortes, que é um cracão, segura a peteca. Por que Sarney tende a ficar na presidência?

Casa de ferreiro, espeto de pau

Nem sempre os santuários das leis e de sua fiscalização cumprem as sagradas funções. Pois bem, algumas empresas que prestam serviços à Delegacia Regional do Trabalho, em São Paulo, são relapsas no compromisso de pagar tributos e atender à pletora dos direitos sociais. Uma sugestão: colocar uma lupa sobre essas más prestadoras de serviços, apurar os ilícitos e punir os responsáveis.

Sarney desiste?

É mais provável que Sarney permaneça na presidência do Senado. Primeiro, porque não pretende sair pela porta dos fundos. 50 anos de vida pública seriam jogados na lata do lixo. É o que ele pensa. Segundo, porque ninguém garante que, com sua saída, o calvário chegaria ao final. Terceiro, não há ninguém do PMDB que poderá substituí-lo. O primeiro vice, Marconi Perillo, assumiria, segundo o governo, a identidade de seu apelido, Marconi Perigo. Dizem que Lula o detesta, desde os tempos em que confessou ter avisado ao presidente sobre as articulações em torno do mensalão.

Hélio Costa, o nome?

O único nome do PMDB em condições de assumir a presidência do senado sem grandes arranhões seria o de Hélio Costa, ministro das Comunicações. Razões: quer ser candidato ao governo de Minas em 2010. Disporia, assim, de um grande palanque para sua visibilidade. Seria bem visto por Lula. É do PMDB, o maior partido da Casa. Não tem ligação direta com o atual esquema de comando, como o ex-senador Edison Lobão, ministro das Minas e Energia, que é outro nome lembrado para ocupar o nome de seu patrocinador Sarney. Em suma, seria o perfil mais palatável do PMDB. Obstáculo: o próprio Sarney que não quer deixar a cadeira.

DEM pede saída

O DEM, até que enfim, decidiu também pedir a saída temporária de Sarney da presidência do Senado. Conduta condizente com um partido de oposição. Se fizesse escudo ao presidente da Casa cairia na desconfiança social. A novela continuará.

Centrais avançam

A cada semana, as Centrais Sindicais avançam em sua meta de fazer do país uma República Sindicalista. As conquistas se multiplicam na esteira de favorecimentos, vantagens, pacotes de bondades e muita grana. Mais de R$ 100 milhões foram distribuídos, este ano, às Centrais. Esta semana, mais uma conquista poderá ser alcançada: aprovação da redução de 44 horas semanais de trabalho para 40 horas, aumento da hora extra para 75% sobre o valor da hora normal. Hoje, a hora extra atinge 50% do valor da hora normal. As Centrais já estão no paraíso.

Serra e Lula fechados?

Este colunista já colocou essa versão no ar. Lula e Serra estariam fechadíssimos. Como assim? Ambos teriam combinado um pacto por reforço recíproco de seus partidos. Uma espécie de rodízio. Você e eu, eu e você. PT e PSDB poderiam se revezar e "matar" outros partidos, com exceção do PMDB, partido considerado pragmático e que funcionaria como peso decisivo na balança. O alvo principal é o DEM, condenado à morte. Por este pacto, Dilma serviria aos objetivos de Serra e vice-versa, este seria o melhor candidato da oposição.

Quanto amor próprio!

"Um maltrapilho dos arredores de Madrid pedia esmolas com grande dignidade. Um transeunte lhe disse : 'Não tem vergonha de exercer essa infame-atividade quando pode trabalhar?' 'Senhor', respondeu o mendigo, 'peço-lhe esmola e não conselhos'; e tendo dito isto, deu-lhe as costas, com toda a empáfia castelhana. Era um mendigo orgulhoso esse; pouca coisa bastava para ferir-lhe a vaidade. Por amor de si mesmo pedia esmola; e ainda por amor de si mesmo não permitia que lhe fizessem qualquer reprimenda." (André Maurois)

Mistérios

Há coisas que não podem e não devem ser ditas. Coisas que povoam o mundo de Maquiavel. Coisas que podem ser apenas objeto de especulação. Coisas confessáveis apenas em bastidores muito reservados.

Consenso no 4302

A terceirização de serviços clama por regulação. O tema está exaurido em termos de análises, debates, intercâmbio de pontos de vista. Nesta quinta-feira, um grupo expressivo de dirigentes de entidades será recebido pelo presidente da CNI, deputado Armando Monteiro, para uma tentativa de se chegar a um denominador comum. A polêmica gira em torno dos dispositivos: responsabilidade solidária versus responsabilidade subsidiária. CNI e sindicatos de serviços terceirizados querem chegar a um consenso. O projeto em tela é o 4302/98.

Segurando a demissão

Enquanto a Anatel e a Telefônica não se acertam sobre a decisão de suspender a venda da banda larga Speedy, a corda está a um fio de arrebentar para o lado das empresas e dos trabalhadores que instalam e mantêm o serviço. As prestadoras de serviços por enquanto seguram a demissão de milhares de funcionários. Mas o Sinstal, o sindicato das prestadoras, nem o Sintetel, que representa os trabalhadores, arriscam prever o que virá pela frente se não houver um acordo rápido entre a Agência do governo e a empresa de telefonia.

Cadê o governo?

Vivien Suruagy, empresária e presidente do Sinstal, lembra que, em outras circunstâncias – incidentes envolvendo grandes empreendimentos – o governo não paralisou obras, garantindo, assim, a tranquilidade e o trabalho dos contingentes empregados. Por que, agora, age diferente, deixando intranquilos milhares de famílias?

Crise e CPI

Alguns senadores perceberam que há interesse de setores em esticar a crise no Senado. Motivo: construir um escudo contra a CPI da Petrobras. Há, sim, fundamento na desconfiança. Maquiavelismo puro.

O preço da morte

"O beato Alcuíno, estando em disputa com Papino, filho do Imperador Carlos Magno, perguntado que coisa era morte, a definiu, dizendo que era o ladrão do homem; Mors est latro hominis. Os ladrões ora levam o dinheiro, ora a joia, ora o vestido etc. O que a morte leva é o homem." (Padre Manoel Bernardes)

Conselho aos senadores

Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Hoje, volta sua atenção ao corpo de senadores :

1. Procurem uma urgente saída/solução para a crise que assola o Senado.

2. Se a saída do presidente Sarney da presidência é inexequível, urge pensar em medidas drásticas – enxugamento da estrutura e plena transparência.

3. Qual seja a alternativa, a Câmara Alta precisa organizar uma urgente agenda positiva – densa pauta de votações.




(*) Gaudêncio Torquato é jornalista, consultor de marketing institucional e político, consultor de comunicação organizacional, doutor, livre-docente e professor titular da Universidade de São Paulo e diretor-presidente da GT Marketing e Comunicação.